O Deus em Quem creio é maravilhoso! Vai além da nossa total compreensão, tanto que só pode ser expresso e compreendido a partir da linguagem mítica (não mitológica) e da poesia. É Mistério que Se revela, e que Se manifesta, como Vida em Plenitude Amorosa.
Apresento um texto resultante de trabalho apresentado à Cadeira de Teologia Sistemática II, sob a regência do saudoso Rev. Prof. Dr. Jaci C. Maraschin, no antigo Seminário Teológico da Igreja Episcopal do Brasil (STIEB), em 1971, o qual me honrou com nota máxima.
O texto amarelo em negrito itálico é o texto original do trabalho, validado pelo Professor e posteriormente pelo Bispo Sumio Takatsu, que, com o Maraschin, dividia a cadeira de Sistemática no STIEB de meu tempo e depois no IAET (Instituto Anglicano de Educação Teológica, da Diocese de São Paulo). Dom Cláudio Gastal autorizou o uso dessa Confissão de Fé na área Pastoral Sul de Santa Catarina e posteriormente o Bispo Filadelfo a autorizou para uso na Paróquia São Paulo Apóstolo. Eu costumo usar esta Confissão de Fé em varias celebrações porque entendo ser uma paráfrase do Credo Niceno-Constantinopolitano em linguagem menos helenista e mais atual.
O texto amarelo em negrito itálico é o texto original do trabalho, validado pelo Professor e posteriormente pelo Bispo Sumio Takatsu, que, com o Maraschin, dividia a cadeira de Sistemática no STIEB de meu tempo e depois no IAET (Instituto Anglicano de Educação Teológica, da Diocese de São Paulo). Dom Cláudio Gastal autorizou o uso dessa Confissão de Fé na área Pastoral Sul de Santa Catarina e posteriormente o Bispo Filadelfo a autorizou para uso na Paróquia São Paulo Apóstolo. Eu costumo usar esta Confissão de Fé em varias celebrações porque entendo ser uma paráfrase do Credo Niceno-Constantinopolitano em linguagem menos helenista e mais atual.
O texto sem ser negrito itálico é minha reflexão atualizada sobre o texto.
(clique em "mais informações" para ver o texto completo).
(clique em "mais informações" para ver o texto completo).
Eis minha Confissão de Fé:
Creio em um só Deus, o Criador, o Pai. Ele quem fez tudo que existe!
Deus é o Criador e Senhor de toda a Criação. As duas narrativas míticas da Criação, que estão no Livro de Gênesis mostram Deus criando e compartilhando a criação, a extrema beleza, pureza e maravilhosa obra de Suas Mãos. Não adianta racionalizar como Ele cria; cabe a ciência tentar entender essa Criação, suas possíveis origens, as leis que regem seu ser e funcionar.
A esse Deus chamo de Pai, mas também posso chamar de Mãe, porque seu Amor é muito maior que o modo humano de amar e por isso, com esses títulos, faço uma aproximação razoável do Seu Amor em Plenitude.
Creio em Deus Salvador, o Filho, Nosso Senhor Jesus o Cristo, o Verbo feito Carne, gerado pelo Pai antes de todos os tempos. Ele desceu dos céus, se encarnou e nasceu humano da Virgem Maria, por isso nós a chamamos Mãe de Deus. Ele deu Sua vida por nós, sob o poder do Império de Roma; foi crucificado, morto, sepultado, visitou o Hades. Mas Seu Pai O ressuscitou ao terceiro dia; e Ele subiu ao Céu, onde Reina com o Poder do Pai; e julgará os vivos e os mortos no final dos tempos, e seu Reinado será para sempre!
Este é, basicamente, o Kerigma da Igreja Primitiva, dos Apóstolos (veja artigo O Kerigma Cristão no blogue principal, Pirilampos e Pintassilgos).
Incluí a Virgem Maria como Teotokos (paridora de Deus, mãe de Deus), porque esse é sua única contribuição na chamada Economia da Salvação; não é co-redentora! Sua presença nesta Confissão de Fé é, portanto, cristocêntrica como sempre foi na boa e antiga Tradição, antes de ser sincretizada com a “deusa mãe” das antigas religiões pagãs da Europa, o que pode ser observado em muitas de suas imagens no ocidente, mas não nos Ícones da Igreja Oriental. O tratamento da Beatíssima Virgem Maria como Teotokos é o reconhecimento e afirmação da divindade de Cristo, tal como expressou o Concílio de Nicéia.
O Kerigma afirma que Jesus o Cristo foi ressuscitado por Seu Pai, por isso mantive a afirmação da Ressurreição dessa forma.
Reinar com o poder do Pai é o equivalente a “sentado á mão direita do Pai”, uma expressão que atribui ao Cristo o poder do Pai, tal como o Consul que se sentava à direita do Augusto em determinadas épocas do Império Romano.
Como Juiz do Mundo, o Cristo, todavia, atua também como defensor dos pecadores e não como acusador. Por isso, Seu julgar é cheio de misericórdia e compaixão, de forma que Seu Reinado será para sempre e com os seres humanos, na Cidade Santa que desce do Céu e aqui permanece para sempre, nos dizeres do Apocalipse (cf. Apoc 21).
Creio em Deus Consolador, o Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho, com Eles é adorado e glorificado. O Espírito Santo deu voz aos profetas E está conosco testemunhando o Evangelho pelo mundo!
Não entro no mérito da questão do Filioque. Trata-se de uma questão bizantina, sem muito significado concreto para a Igreja de hoje em dia. Mantenho o texto original sem a reforma do novo Livro de Oração Comum da IEAB por achar irrelevante do ponto de vista pastoral fazer uma mudança e ter de explicar ao povo da Igreja uma questão de somenos importância que a Igreja durante séculos manteve como parte de seu Credo. Adaptar o Credo para ser simpático à Igreja do Oriente, é – ao meu ver – um gesto de gentileza desnecessário, que se agrada os orientais, nos distancia dos ocidentais… Poderíamos manter as duas fórmulas, como faz o LOC da Igreja Episcopal dos Estados Unidos e de outras Províncias da nossa Comunhão, para não violentar nossa tradição ocidental nem ofender a tradição oriental quando estamos junto com eles.
O que importa é que o Espírito Santo dirige a Igreja e a vida das pessoas que a Ele escutam, fomenta a vida em plenitude, inspira o Louvor, promove a Missão, converte corações e vidas; é Deus agindo em nós, na Igreja e na História, conosco, para sempre. O Vento Bom que impulsiona a Igreja de todos os tempos, apesar das travas institucionais, já que institucionalizar é uma necessidade social humana. Nesse sentido, o Espírito Santo move a Igreja a reformar-se permanentemente, para que não se cristalize e se torne fim em si mesma.
Há um só Batismo para a remissão dos pecados! O Batismo em Cristo, em Sua Morte e Ressurreição, através do qual somos parte da Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica, na qual vivemos em comunhão.
O Batismo único para a remissão dos pecados é em Cristo. Dou muita importância a isso e, assim, tenho sérias restrições ao chamado “diálogo inter-religioso”, preferindo referir-me a uma cooperação inter-religiosa – isso para mim é Ecumenismo! – para determinadas demandas humanas. Reconheço que a maioria das religiões são resultados de uma cultura específica, inclusive a minha, mas a Fé considero uma experiência existencial e pessoal que não deve ser julgada sob nenhum parâmetro. Por outro lado, não posso afirmar que “toda religião é boa”, porque seria avalizar atitudes e ações que são obviamente contrárias ao espírito do Evangelho. Só para lembrar, por exemplo, o Satanismo é uma religião…
O Batismo em Cristo nos inclui em Sua Igreja, que é UNA mas diversa e não uniforme, SANTA porque é plena da Santidade de Deus através do Espírito Santo que a dirige e o próprio Cristo que a preside, CATÓLICA por ser sua qualidade de estar presente em todo o mundo e APOSTÓLICA por ser fruto da pregação dos Apóstolos e Apóstolas de Jesus o Cristo. Ser parte da Igreja de Cristo é estar e viver em comunhão com todas as pessoas, de todos os tempos que dela participam, apesar da diversidade e da multiplicidade de formas que a Igreja tem.
Por Sua infinita misericórdia, viveremos para sempre no Seu Reino, Que já se manifesta no meio de nós!
A herança do Reino se deve à misericórdia de Deus manifesta em Jesus o Cristo, de quem somos devedores, pela maravilhosa graça que nos alcançou através de sua Morte e Ressurreição. Esse Reino se manifesta já na nossa História, mas não se confunde com ela, nem com qualquer instituição humana, é o horizonte utópico (não lugar ainda) [e não atópico (nunca lugar)] da caminhada do Povo de Deus em direção ao Reino.
Esta é a nossa Fé! Amém!
Ao dizer “nossa” o faço na convicção de que esta é a Fé confessada pela Igreja de Cristo, tal como a recebeu de nossos Pais e Mães e sistematizada pelos padres de Nicéia. Caso haja erro ou necessidade de interpretação, estou aberto com humildade a ouvir e conversar. Não sou dono da verdade…
-/-

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentário.
Ele será submetido à avaliação, e se aprovado, será postado.
Este não é um blog de debates ou discussões, mas de reflexão.